"Comece fazendo o que é necessário, depois o que é possível, e de repente você estará fazendo o impossível." São Francisco de Assis

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Diocese de São Gabriel da Cachoeira realiza Semana de Catequese

Caros irmãos e irmãs

Mais algumas notícias
para que você lembre de rezar
pela Igreja que deseja ser fiel a Jesus e aos pobres
no coração da Amazônia.


Diocese de São Gabriel da Cachoeira realiza Semana de Catequese
Indígena Inculturada
Por Jaime C. Patias
05 / Set / 2014 17:09
Encontrar a cidade de São Gabriel da Cachoeira no mapa do Amazonas é
fácil. Ela se situa no extremo noroeste, no limite com a Colômbia e a
Venezuela, às margens do Rio Negro. Chegar lá não é tão fácil assim:
são 850 km de Manaus, viajando de barco, uma semana, de lancha, 36
horas ou com o pequeno avião que parte de Manaus, duas vezes por
semana. “Aqui 95% da população é indígena pertencente a 23 etnias
diferentes e ainda hoje, são faladas 18 línguas. É um laboratório
linguístico de primeira grandeza”, explica dom Edson T. Damian, o
bispo de São Gabriel da Cachoeira desde 2009.
Dom Edson é natural de Fontana Freda no município gaúcho de Juaguari,
terra que já pertenceu ao povo Tupi Guarani, mas que na época das
grandes migrações foi ocupada pelos imigrantes italianos. O bispo é
descendente de uma dessas famílias e pela graça de Deus, foi chamado
para servir a diocese da Amazônia, considerada mais indígena do
Brasil. O respeito pelos povos indígenas foi demonstrado já no dia da
sua ordenação. “Eu chego devagar, pedindo licença para ser acolhido
como hóspede, porque eles são os primeiros habitantes e agente deve
respeitá-los na sua cultura, na sua religiosidade, no seu jeito de
ser”, anunciou dom Edson diante das mais de duas mil pessoas, a
maioria de origem indígena presentes na celebração. Ele é o quinto
bispo daquela diocese e substituiu dom José Song Sui Wan, bispo chinês
missionário no Brasil. Antes disso, dom Edson viveu em Boa Vista (RR),
onde acompanhou momentos marcantes das lutas dos indígenas daquele
estado pela demarcação e homologação da terra Raposa Serra do Sol.

Hoje em São Gabriel da Cachoeira a inculturação do Evangelho começa
pela catequese quando se dá a iniciação cristã. Para intensificar esse
processo, entre os dias 31 de agosto e 05 de setembro aconteceu em
Yauaretê, paróquia totalmente indígena na fronteira com a Colômbia,
uma Semana de Catequese Indígena Inculturada. O encontro contou com a
participação de 70 catequistas, ministros da palavra, ministros da
comunhão eucarística e a presença do enviado do papa Francisco, o
cardeal dom Cláudio Hummes, OFM, presidente da Comissão Episcopal para
a Amazônia da CNBB. Como critério, cada paróquia enviou até cinco
catequistas, escolhidos entre os que participaram nas formações
realizadas anteriormente. As reflexões contaram com a assessoria do
padre Eleázar López Hernadez, indígena do México.

A temática recebeu grande impulso já em 2013 com três eventos: um
Seminário em Manaus (AM), no mês de abril e um Encontro de Catequistas
em São Gabriel da Cachoeira no mês de maio, assessorado pelo mesmo
padre Eleázar López Hernadez. Além disso, em outubro, catequistas de
todas as paróquias analisaram os valores das culturas indígenas que
acolhem a Palavra de Deus e são por ela iluminados. Na ocasião, foram
elaborados vários roteiros para encontros de catequese. Ao longo de
2014 acontecem semanas de estudo em todas as paróquias, com boa
aceitação dos catequistas.

Segundo dom Edson, “como Deus não se impõe, mas propõe, a catequese
inculturada só acontece quando os irmãos indígenas acolhem o Evangelho
em sua cultura, com liberdade e autonomia. Encarnado na diversidade
das culturas, o Evangelho gera comunidades eclesiais com rosto
próprio”, sublinha ele e recorda um ensinamento do papa Francisco:
“Cristo não extingue o que é bom, mas o completa”.

O bispo destaca ainda, a riqueza das culturas indígenas para a Igreja
local. “Quando sabemos que cada língua traz tesouros particulares em
relação à cultura, à antropologia, à cosmologia e à visão de Deus,
então aqui nós estamos num paraíso. Isto é extraordinário. A diocese é
imensa: ela tem 293 mil km2, é maior que o estado de São Paulo,
abrange toda a bacia do Rio Negro, que é o principal afluente do Rio
Amazonas. Abrange apenas três municípios: Barcelos, Santa Isabel do
Rio Negro e São Gabriel da Cachoeira, onde está a sede da diocese”.

Em termos de vocações, a diocese conta com diversas religiosas
indígenas e pelo menos meia dúzia de padres.
Para dar continuidade ao processo de inculturação, no Encontro
diocesano do mês de novembro próximo, o tema da Catequese Indígena
inculturada será retomado.

Outro evento importante para a Evangelização na Amazônia é o Encontro
Internacional para criação de uma Rede Eclesial Pan-Amazônica. O
evento, que acontece na sede das Pontifícias Obras Missionárias (POM),
em Brasília (DF), de 9 a 12 de setembro, pretende reunir 60
representantes de instituições atuantes na Região. Um dos objetivos
deste encontro é, a partir das experiências feitas até agora, definir
a finalidade, estratégias e metas em vista da consolidação da Rede
Eclesial Pan-Amazônica.

Nenhum comentário:

Postar um comentário