"Comece fazendo o que é necessário, depois o que é possível, e de repente você estará fazendo o impossível." São Francisco de Assis

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

1ª edição da Missão Ecológica Franciscana em Hulha Negra – RS

Durante os dias 24 a 26 de agosto aconteceu a 1ª edição da Missão Ecológica Franciscana em Hulha Negra – RS, numa realidade de colonos assentados, coordenado pelo Serviço Franciscano Justiça Paz Integridade da Criação (SFJPIC) da Província São Francisco de Assis - RS.

Objetivos da Missão: a) fortalecer as experiências e iniciativas ecológicas já existentes no local; b) animar e iluminar essas experiências através da espiritualidade franciscana; c) ampliar a consciência ecológica e suscitar novas iniciativas.

A Missão teve o seguinte roteiro: 1. Dia 24 (sexta-feira): momento de sensibilização em torno da crise ecológica. 2. Dia 25(sábado): desenvolvimento de 5 oficinas: a) Energia Eólica; b) Medicina Natural;c) Sementes crioulas; d) Projeto Plantio de Árvores Nativas; e) Sensibilização com crianças em torno do cuidado da natureza. 3. Dia 26 (domingo): caminhada, celebração e confraternização de encerramento da Missão.




segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Seminário Franciscano de Justiça Ambiental – Porto Alegre – 22/08/2012

Assessores:
Cíntia Barenho

Luiz Zarref

Vanessa dos Santos

14: 15 - Abertura irmãs franciscanas de Nsra Aparecida: Cântico das Criaturas.

14:25 – Irmã Rose , presidente da FFBRS, realizou a acolhida e saudação inicial. Apresentação da equipe do SINFRAJUPE. Apresentação das pessoas presentes no evento.

14:32 – Composição da mesa. Cintia Barenho e Vanessa dos Santos. Luiz Zarref não compareceu e enviou um vídeo.


1ª Painelista: Cíntia:

Durante sua fala foi mostrando fotos da Cúpula dos Povos. Destacou:

• Pra Diplomacia Brasileira e pra ONU a RIO+20 foi um sucesso. Pra nós o Documento Final não mudou nada. A ONU é composta por todos os países, mas os interesses que ela tem defendido são os interesses das empresas e de algumas corporações. Na RIO+20 isso se manifestou inclusive no patrocínio: VALE (Pior Corporação Mundial 2012) e Petrobrás (não necessariamente protege o ambiente e mascara por meio de projetos sua responsabilidade ambiental), entre outros fornecedores (Coca Cola, Braskem etc).

• A RIO+20 firmou 24 compromissos em prol do Capital Natural. Pra nós isso é mercantilizar a vida e não protegê-la.

• A RIO+20 ratificou aquilo que dissemos faz tempo: que os países mais desenvolvidos não querem abandonar sua posição cômoda.

• O Documento Final deixou inúmeras lacunas que nos beneficiam: Economia Verde, não afirmou que nosso planeta está se esgotando, PNUMA (Programa das Nações Unidas do Meio Ambiente), outros mecanismos concretos.

• Acredita-se que se tenha gasto R$ 430 milhões para realizar a RIO+20.

• A única iniciativa mais precisa foi do presidente do Equador de exploração de uma reserva petrolífera.

• Após 40 anos de discussão em torno do tema ambiental, nota-se a ausência de práticas concretas para resolver os problemas.

• A ONU segue afirmando que há uma saída para o capitalismo dentro do capitalismo e que as corporações podem fazer isso. A Cúpula dos Povos afirma que são as pessoas que podem realizar a mudança e que não podemos confiar na ONU pois seus processos não visam a democracia e a mudança.

• A Cúpula dos Povos uniu diversos movimentos em prol da vida, contra o capitalismo e o preconceito.

• Um dos eixos da Cúpula dos Povos foi “Em defesa dos bens comuns e contra a mercantilização”. Ali tratou-se de questões referente: educação, saúde, degradação ecológica, privatização da água etc

• Evidenciou alguns alertas pós Rio+20: mudança do código florestal, serviços ambientais, redução de emissão por desmatamento e poluição ambiental, Bolsa Verde, mudanças climáticas, debate da Copa e das Olímpíadas, atenção às terras indígenas e kilombolas, erradicação do trabalho escravo e infantil, necessidade de novas políticas públicas e legislação mais eficiente.

2º Painelista: Luiz Zarref – vídeo (15:10)

Trouxe um pouco das reflexões que os movimentos ligados à Via Campesina fizeram durante a RIO+20. Destacou:

• Em primeiro lugar relembrou a Eco92. Época na qual estávamos refletindo com muita fragilidade a questão ambiental. Criou-se 3 convenções: diversidade ecológica, mudanças climáticas, contra a desertificação. Na convenção das Mudanças Climáticas vimos ser criados processos de mercado em cima do meio ambiente. Numa das assembleias da Convenção de Diversidade Ecológica (2006) conseguimos algumas conquistas (terminate, árvores transgênicas). Na próxima Convenção (2008) as corporações entram com mais força.

• Na RIO+20 vimos cair a pauta ecológica. O mercantilismo transforma tudo em mercadoria. Não se discute então o meio ambiente, se discute como o capitalismo pode aproveitar o meio ambiente. O Capitalismo, em crise, procura novos mercados, tais como a natureza.

• A RIO+20 cumpriu o papel de consolidar o Capitalismo Verde, ou seja, a compreensão de que o meio ambiente só vai perpetuar se o mercado intermediar. Em contrapartida a Cúpula dos Povos denunciou a Economia Verde (ou Capitalismo Verde).

• A Cúpula dos Povos apontou para as verdadeiras soluções: a soberania e a autonomia sobre os territórios:

- soberania ambiental;

- soberania ambiental e agroecologia;

- soberania energética;

- reforma agrária;

- práticas de trabalhos “limpos” e sustentáveis.

• O maior saldo da Cúpula dos Povos é o processo de convergência: ONG’s, expressões religiosas, movimentos diversos. Convergência sem a classe dominante e sem o mercado. Convergência que produz relação crítica com o estado e com as corporações. Convergência que se estabelece pela soberania popular.

3º Painelista: Vanessa Santos (15h31)

Iniciou contextualizando a Conferência Eco92 enquanto ponto de encontro que fundamentou diversas leis: Educação Ambiental, Licenciamento Ambiental... Destacou:

• O Grupo Nacional de Articulação se reuniu e criou comitês estaduais que foram chamados a mobilizar os movimentos para a Cúpula dos Povos;

• A grande vitória tanto em 92 como agora foi a possibilidade do encontro.

• A Cúpula dos Povos foi financiada com R$ 13 milhões, bem menos que a RIO+20. Patrocinados pela Petrobrás, a fim de evitar o envolvimento de empresas que oprimem pois: “A arte que liberta não pode vir da mão que oprime.”

• No tempo em que estivemos juntos na Cúpula, conseguimos nomear o que foi o processo oficial da RIO+20 que procurou abafar evidências como o dado de que o brasileiro hoje é o maior consumidor de agrotóxicos do mundo (média de 5kg por brasileiro).

• Pensando no tema deste seminário “Rio+20 e agora?”, somos convidados a fazer exatamente o que os movimentos estão fazendo hoje em Brasília: conversar, refletir, perceber como a temática interfere na nossa vida.

• “Um outro mundo é possível” desde que nós participemos.

• Algumas sugestões: Economia Solidária, agricultura familiar, dizer não aos transgênicos, participação, busca de alternativas.

• O SINFRAJUPE teve uma participação muito forte na campanha contra a Economia Verde.Na Cúpula dos Povos elencou-se três eixos denominados “Ação franciscana global”:

- Promover a autenticidade de vida (Estilo de Vida);

- Participar no projeto sobre mineração dos promotores de JPIC em Roma;

- Continuar a Campanha “Não à Economia Verde”, denunciando os problemas criados por essa proposta e buscando paradigmas alternativos para a sociedade.

• Essas definições juntamente com o Documento Final da Cúpula dos Povos são bem interessantes para percebermos o enlace dos movimentos.

15:53 – Aberto para a plenária

a) Ir. Sheila solicitou à Vanessa do SINFRAJUPE que relate o processo de reestruturação do serviço.

Vanessa colocou que a ideia é que essa reestruturação possa vir favorecer o enlace dos movimentos, que os trabalhos sejam fortalecidos. Não é possível que algum movimento social não esteja empenhado na justiça ambiental e na busca de ações que favoreçam senão a plena sustentabilidade ao menos relações harmoniosas.

b) Fr. Orestes mencionou a necessidade de partir do micro para o macro, atuando nos espaços que nos são possibilitados. Exemplificou com: a Semana Brasileira, o Grito dos Excluídos, a Economia Solidária. Lembrou também a intervenção positiva do estado favorecendo a produção e financiamento de produtos ecológicos, por exemplo. Hoje foi assinado convênio de 10 creches de Porto Alegre que vão receber alimento saudável via PAA (Programa de Aquisição de Alimentos).

c) A painelista Cíntia lembrou que há poucos dias foi assinado convênio para que diversas entidades possam participar do Programa Nacional de Alimentação Familiar. O desafio é que a agricultura ecológica/o orgânico é mais caro que aquilo que o agronegócio produz.

d) Ir. Beltriz, FPCC solicitou que as painelistas falassem mais sobre a transparência na RIO+20, a ação das corporações etc

A painelista Vanessa recordou a AGENDA21 como exemplo de uma ação que brotou da Eco92 e não apareceu no processo oficial da RIO+20.

Convidou os presentes a não aceitar a primeira versão e procurar saber mais, saber a verdade, desconfiar; a ocupar os espaços na escola, no bairro, na Igreja pra conhecer; utilizar os meios de comunicação para se informar e informar, comunicar o que está acontecendo.

e) Fr. Maloni comentou a ação dos jovens da JUFRA na Cúpula dos Povos que apareceu no FACE e em outras plataformas; na TV apareciam as passeatas dos jovens em vista da legalização da maconha. Convidou que Vanessa relate sobre a real postura dos jovens.

f) Elisa colocou que, a seu ver, falta muito que nós lutemos pela nossa parcela de poder, que participemos. Elisa está fazendo um trabalho sobre a ”Participação cidadã: um princípio em construção”

A juventude, segundo Vanessa, exerceu um papel fundamental. Foram responsáveis pelo Acampamento da Juventude (na Univ. Federal). A JUFRA esteve presente em várias plenárias e na administração do território da Juventude (Enlace das Juventudes). Entre outros gritos, os jovens pediram pra discutir a questão das Drogas no Brasil.

Sobre a participação disse que o momento é agora e somos convidados a fazer acontecer.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Vanessa agradeceu o acolhimento, manifestou sua expectativa de que ocorram outros encontros como esse.

Cíntia lembrou a ação das corporações e da posição da ONU. Sugeriu que assistamos o filme americano “As corporações” que relaciona algumas questões bem significativas quanto ao neoliberalismo. Relacionou outras questões pontuais sobre Porto Alegre: Redenção (Pepsi), Largo Glênio Peres (Vonpar – Coca cola) entre outras. Alertou para a privatização da saúde, da educação etc e se colocou à disposição para outros debates.


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